Verdadeiros adoradores

Fazendo glória a Deus

Poço de Jacó

A Oferta Divina

A Aliança

Verdadeiros adoradores

Os Santos formados por Jesus

As exigências da adoração perfeita

Retorno à unidade

Colaboradores de Deus em sua luz


Fazendo glória a Deus

Consideramos* a alma que chegou ao pleno desenvolvimento da vida sobrenatural, a essa plenitude que realiza o desejo do Pai celestial revelado explicitamente por seu Filho divino, para aquele estado que deve ser objeto de nossa única ambição.

Nosso Senhor Jesus Cristo — que, como diz o salmo, foi colocado “à frente do livro”,ou seja, 1 é o filho mais velho de cada criatura – não deu outro fim à sua vida mortal. Na Encarnação, em todas as ações de sua peregrinação terrena – humilhação, pregação, milagres, orações, sofrimento, morte e ressurreição – seu único propósito era dar a seu Pai toda a glória que sua humanidade sagrada era capaz de lhe oferecer. E seu zelo não se limitava a este esforço pessoal: ele expressamente queria comprometer com ele todos aqueles dos quais ele foi feito cabeça; e o fez por exemplo e palavra, revelando-nos os desenhos ocultos e desejos secretos da Trindade Augustan.

Poço de Jacó

Na peregrinação terrena do Salvador há um fato particular, que nessa perspectiva assume uma importância específica e, portanto, merece ser estudado até o menor detalhe. 2 O Senhor, para ir da Judéia à Galiléia, atravessa Samaria e, cansado da viagem, para no poço de Jacó. Ele está cansado, e com este esforço, ao mesmo tempo real e deliberado, ele queria demonstrar a todos a realidade de sua natureza humana e sua vontade de não recorrer ao milagre a cada momento.

A proximidade desse poço favoreceu o descanso do Senhor; na época dos símbolos, na verdade, os poços tinham sido, não sem razões misteriosas, os lugares favoritos para concluir alianças. A hora do meio-dia, ou seja, de plena luz solar, foi a hora designada para esta nova revelação dos desenhos secretos do Pai.

Através do salmista ele jurou não descansar até o dia em que encontrou um templo para Deus: “… até que eu tenha encontrado um lugar para o Senhor, um lugar de moradia para o Deus de Jacó.3 Mas hoje, quando chegou a hora e a plenitude do tempo, ele se senta no caminho dos andarilhos para esperar a humanidade. E não demorou muito para aparecer, inconsciente e manchado, na pessoa da mulher de Samaria a quem ele se digna a pedir uma bebida. Mas o que a pobre humanidade pecaminosa pode oferecer para acalmar a sede de seu Criador?

A Oferta Divina

Este pedido, portanto, cheio de profundo mistério, perplexidade e maravilha a mulher. Através do véu da ignorância ele vislumbra confusamente os obstáculos que estão no caminho das oferendas de Deus; e se as razões que você dá não são as mais verdadeiras e probatórias, elas, no entanto, expressam, juntamente com espanto, o sentimento preciso de sua impotência. Um abismo a separa daquele que lhe pede para beber; mas assim que ela humildemente reconheceu os obstáculos, o próprio Senhor se oferece para removê-los: “Se você soubesse o dom de Deus!”.4 O Senhor, com o cuidado de revelar novos horizontes para esta humanidade cega, começa fazendo-a tocar suas misérias: “Vá, ligue para seu marido e retorne”.5

Dos Pais, e de Santo Agostinho em particular, este vir é interpretado como a inteligência que deve governar a criatura racional. O Senhor gostaria de encontrá-la primeiro no samaritano: ele deseja iluminar, instruir e guiar a razão, que ele procura desnecessariamente nesta mulher; e ele responde com razão: “Eu não tenho habeo virum”, “Eu não tenho marido”. Até agora, ela dominou a parte inferior; ela admite isso, eo cavalheiro afável elogia: “Você está certo em dizer que você não tem marido, para você você teve cinco, e o que você tem no presente não é mesmo seu marido: você está realmente certo. 6 Os sentidos, dos quais ela era uma escrava e vítima, enganou-a; sua vida era vulgar e carnal, enquanto ele deveria ter sido espiritual e razoável.

Cristo, seu salvador e médico, quer, antes de tudo, revelar a ela sua ferida para curá-la. Na verdade, o homem pode se juntar a Deus através a parte superior da alma, graças à qual ele pode recuperar o cetro que Deus lhe deu na origem para guiar e governar a parte inferior do seu ser e todas as criaturas visíveis: “Que ele domine os peixes do mar, os pássaros do céu, os animais de estimação, toda a terra e os répteis que rastejam na terra”.7 O Senhor, portanto, vem para restaurar a ordem; trata-se de tirar a humanidade da vida dos sentidos e do jugo das paixões, à inteligência livre, um princípio imortal que deve presidir toda a nossa ação; finalmente vem para se juntar à inteligência para ser sua coroa de glória, como ensina o Apóstolo: “Quero que saiba que Cristo é a cabeça de cada homem, o homem é a cabeça da mulher, e Deus é a cabeça de Cristo.”8 Deus não concorda mais em lidar com a parte inferior de nós mesmos; ele não quer se revelar aos sentidos ou brilhar diante da imaginação, como acrescenta o Apóstolo: “O homem carnanal não percebe as coisas que pertencem ao Espírito de Deus”. 9 Este comportamento de Deus distingue profundamente a Velha Aliança do Novo. “Tendo falado uma vez com nossos pais, em momentos diferentes e de diferentes maneiras através dos Profetas, nos últimos tempos Deus nos falou através de seu Filho que estabeleceu herdeiro de tudo, e com quem ele fez os séculos.” 10

A Aliança

A Velha Aliança ofereceu figuras da humanidade que abordavam os sentidos: “Todas essas coisas que aconteceram com eles são figuras, e foram escritas para nossa instrução, para nós que estamos no final dostempos.” A Nova Aliança, que se estabelece em Cristo mediador e pontífice, abre uma nova maneira de ir a Deus, como nosso Senhor Jesus diz ao samaritano: “Acredite em mim, mulher, chega o momento em que nem nesta montanha nem em Jerusalém você vai adorar o Pai”.17 A hora misteriosa que Cristo proclama é a de sua vida terrena, durante a qual ele ensina ao homem as realidades únicas, quando o próprio homem não deve mais adorar o Pai nem no Monte Garizim ou em Jerusalém, mas, internamente, no templo secreto do coração e da inteligência. Santo Agostinho escreve: “Se você busca um lugar no topo, um lugar consagrado, ofereça a Deus um templo em suas profundezas, porque o templo de Deus é santo, e este templo é você. Você quer rezar em um templo? Reze em você mesmo. Mas primeiro você deve se tornar um templo de Deus, pois ele cumpre aquele que reza em seu templo.”13

O Senhor não queria limitar-se a revelar à humanidade a transitoriedade do Primeiro Pacto; ele também queria revelar a ela os esplendores imperecíveis da segunda: “A hora chega — e é isso — quando verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade.14

Esse é o misterioso segredo das novas relações entre a humanidade e Deus seu Criador. E isso não é uma promessa: “é agora”: o momento da realização chegou, a plenitude da vida sobrenatural se espalhará na Terra, e a nova linhagem será reconhecida por sua maneira de adorar a Deus.

Verdadeiros adoradores

O que significa “adorar a Deus em espírito e verdade”? Esta é a primeira pergunta, uma questão de grande importância para a humanidade, que deve ser entendida em seu sentido exato. Como todas as outras realidades que o Novo Testamento iluminaria totalmente, a adoração perfeita e os verdadeiros adoradores de Deus já são indicados e previstos no Antigo Testamento. Como um sábio arquiteto, Deus previu o que pretendia fazer, e colocou as pedras do canto, Moisés era um desses verdadeiros adoradores, e o próprio Senhor explicou a Arão e sua irmã Maria que haviam convocado antes do tabernáculo: “Ouça minhas palavras: se você tiver algum profeta de Deus, eu vou revelá-lo a ele na visão Vou falar com ele em um sonho. Tal não é o meu servo Moisés: ele é reconhecido fiel em toda a minha casa; para ele eu falo boca a boca, mostrando-me, e não para quebra-cabeças; ele contempla a face de Deus.15 Aqui o Senhor estabelece uma clara distinção entre seus servos comuns – mesmo aqueles a quem ele recompensa de seus dons – e de um verdadeiro adorador em espírito e verdade.

A tradição cristã reconheceu e definiu este estado por unanimidade propondo aos desejos de toda a ambição sagrada a ser contado entre os adoradores eminentes procurados pelo Pai. Vamos dar apenas dois exemplos. São Cirilo Alexandrino, que dedicou todo um tratado à adoração em espírito e verdade, comenta sobre a já mencionada passagem do Evangelho com estas palavras: “Aquele que adora em massa é agradável a Deus quando, não velar sua piedade com as sombras e figuras da adoração judaica, mas brilhando no esplendor das virtudes evangélicas, ele realmente adora a Deus com uma observância fiel dos preceitos divinos”.16

O abade Rupert vai além: “Os verdadeiros adoradores não são aqueles que não sabem o que adoram, mas aqueles que têm um verdadeiro conhecimento disso. Eles adoram o Pai não na montanha, não em Jerusalém, mas em espírito e verdade. Aqueles que recebem dele o Espírito que os faz filhos adotivos de Deus adoram o Pai, e se tornam membros de sua Única Gerada, adoram o Pai. Adorar em espírito, na verdade, significa ter recebido o Espírito da adoção, o que nos permite exclamar: Pai, Pai! Adorar o Pai na verdade significa morar no Filho, que disse: “Eu sou a verdade”. 17 Os verdadeiros adoradores devem, portanto, adorar a Deus, o Pai. Santo Filho e Empurrado, na clara e necessária distinção do Povo.

“A verdadeira adoração é a obra específica do Espírito Santo; é necessário que o homem receba o Espírito Santo primeiro através de uma graça anterior, de modo a conhecer e confessar, através do Espírito, que Nosso Senhor entrou na carne; é a maneira direta de ir para o Pai. Portanto, diz-se exatamente que eles adoram o Pai em espírito e verdade, e não na verdade e no espírito”.18

A partir deste ensinamento parece que o Pai Celestial busca verdadeiros adoradores entre os filhos de Deus, os irmãos de Nosso Senhor Jesus Cristo, os templos do Espírito Santo. Se o Pai os procurar, ele vai encontrá-los; e você vai encontrá-los porque da Sabedoria eterna tudo foi preparado com força e doçura para que eles possam existir. Colocados tão alto nos desejos do pai, na solicitude do Filho e no amor do Espírito Santo, pode-se acreditar que eles constituem na humanidade uma categoria separada ou uma espécie de casta, mas este não é o caso em tudo: o Redentor resgatou todos os homens pagando o preço infinito de seu sangue, e a força deste sangue não acabaria mesmo lavando milhões de universos; e todos os homens são chamados a se tornarem verdadeiros adoradores que adoram a Deus em espírito e verdade.

Os Santos formados por Jesus

O Senhor certamente não ignorou nossa incapacidade radical de alcançar as regiões cuja entrada ele indicou ao samaritano. Nenhum esforço humano é capaz de produzir união com Deus, que forma a essência da santidade: “Sem mim, você não pode fazer nada”,diz o Senhor. O Mestre deve concordar em encontrar sua criatura, levantá-la, levantá-la a ele impedindo e acompanhando todos os seus esforços, para que a pobre criatura possa lhe dar a resposta que ele espera e procura.

Além disso, é muito evidente que os verdadeiros adoradores, embora ainda não – como os abençoados – confirmados para sempre na visão, não são mesmo almas fracas que darem seus primeiros passos nos caminhos de Deus. Os verdadeiros adoradores são aqueles que vivem em Deus, por Deus e com Deus, na atitude única e contínua e conveniente para a criatura inteligente que incansavelmente aborda sua atividade a Deus; eles são aqueles que a linguagem popular chama de “santos”. Santos são pessoas como os outros; mas eles levaram a sério sua própria condição como criaturas e o propósito que Deus propôs criando-as. Eles foram fiéis em fazer bom uso de todos os infortúnios que o Senhor lhes disponibilizou. O próprio significado da narrativa do Evangelho mostra claramente que os verdadeiros adoradores nascem da vida sobrenatural, tornando-se cristãos na fonte de batismo. Como acabamos de ver, no poço de Jacó Nosso Senhor revela os planos de Deus para o samaritano, primeiro oferecendo-lhe uma água misteriosa que está ao alcance de todos os homens e está destinada a quebrá-los para sempre. O verdadeiro adorador nasceu, portanto, em nós com batismo, o que nos fornece todas as energias que podem nos fazer aqueles que o Pai procura.

Mesmo o alimento que está preparado para nós contém em si tudo o que pode nos transformar, para que adquiramos a atitude característica dos verdadeiros adoradores. Nosso Senhor Jesus Cristo não é, como homem, o adorador por excelência, aquele que se ofereceu e continua a oferecer-se à glória de seu Pai em uma obediência próxima? Mesmo em nós, ele nunca vem participar de suas virtudes divinas e humanas até que ele tenha pago a dívida de uma adoração que supera a homenagem de todas as criaturas. Será que ele não vai nos transformar em verdadeiros adoradores que, “tendo a própria natureza de Deus, não acreditavam que era um roubo ser igual a Deus”, e ainda “aniquilaram-se”20? E para oferecer ao Pai este tributo de adoração e louvor ele aniquilou a ponto de morrer na cruz.

O verdadeiro adorador segue seu Mestre em completa auto-negação, praticando à risca o convite do Senhor Jesus: “Se alguém quiser vir ao meu seguinte, negue a si mesmo, pegue sua cruz e siga-me”.21 Desta forma não é extraordinário; pelo contrário, está aberto a todos os batizados; e para aqueles que seguem com perseverança o Salvador leva à perfeição, ou seja, à realização do que nosso Pai celestial deseja de nós.

As exigências da adoração perfeita

Mas antes de tudo devemos estar convencidos de que ninguém pode alegar ser um adorador em espírito e verdade se primeiro ele não negou resolutamente todos os tipos de idolatria. E a idolatria, se acreditarmos no que o Apóstolo diz, não é apenas o culto dos falsos deuses. Mesmo em nós mesmos podemos criar muitos ídolos, a quem nos sacrificamos cegamente: “Saiba que não fornicador, nenhum impudico, nenhum avare — que é idolatria — será herdeiro do reino de Jesus Cristo e de Deus”. 22 Devemos destruir todos esses simulacra e construir em nós mesmos, pela razão de Deus, um lugar perfeitamente claro de todas as falsas divindades: “Que relação pode haver entre o templo de Deus e os ídolos? Na verdade, você é o templo do Deus vivo, como Deus diz: Eu vou habitar neles e caminhar entre eles, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.23

A separação entre a escuridão e a luz deve, portanto, ser radical no verdadeiro adorador, que se destaca precisamente pela estabilidade para o bem. Todos os cristãos adoram a Deus, mas nem todos podem reivindicar estritamente o título de “adoradores”. Este substantivo é muito raro nas escrituras; de fato, pelo nosso conhecimento, parece ser usado apenas no Capítulo 4 do Evangelho de São João, onde o inefável encontro do Senhor com a mulher de Samaria é descrito.

A adoração é o ato mais nobre que pode ser realizado pela criatura inteligente e livre; é a forma em que o amor divino retorna a Deus através de um espírito criado; é a homenagem à submissão, subjugação e obediência perfeita que ser contingente oferece ao necessário. Finalmente, é um ato de doação solene, como um reconhecimento universal, realizado em um holocausto perfeito, do domínio supremo de Deus.

Mas a adoração “em espírito e verdade” ainda é algo mais. é a única resposta que a inteligência pode dar à revelação de Deus de si mesmo na unidade de sua essência e na Trindade do Povo. Tal ato só é possível para a alma que foi batizada em nome do Pai, o e do Espírito Santo, portanto, São Athanasius disse: “Devemos adorar a Deus, isto é, o pai, na verdade, isto é, no Filho e no Espírito Santo; em outras palavras, deve-se adorar a Deus e a um, adorar a Santíssima Trindade e seus três Povos.24 O ato de adoração no espírito e na verdade, que o cristão pode realizar por seu batismo, torna-o, portanto, um “adorador” apenas se a adoração não for nele um ato disperso, raro, mas uma atitude quase permanente, uma espécie de estado profissional e disposição constante.

Retorno à unidade

“Verdadeiro adorador” é aquele cuja alma, livre de toda multiplicidade e devolvida à perfeita simplicidade, conseguiu se compor em harmonia sem dissonância, tendo suprimido com um esforço constante cada separação e divisão, cada contradição, de modo a retornar à unidade primitiva de seu ser. A alma simples tem apenas um olhar, um amor, uma intenção, uma ambição, um fim. Um olhar, porque ele só vê Deus; um amor, porque ele ama apenas Deus; uma intenção, porque tende exclusivamente a Deus; uma ambição, prazer a Deus; um lado, a posse de Deus. Ele não conhece nem um recuo do passado nem uma previsão preocupante do futuro; calmamente concentra todas as suas forças na unidade do momento presente; e no momento presente vê apenas a unidade da aprovação de Deus. A alma simples vive em um desprendimento feliz e uma maravilhosa indiferença: tempo, lugar, ocupações, sucesso, em última análise todos os eventos, sejam eles que sejam, nunca perturbam a paz e a segurança que derivam do completo abandono de si mesmo para a aprovação de Deus.

Para indicar essa forma de unidade e simplicidade — que é a restauração suprema do homem na integridade na qual Deus a fixou ao criá-la — as Escrituras muitas vezes designam almas sagradas como “pombas” e “virgens”. Neste ponto de restauração, toda a vida se torna uma contínua homenagem de adoração à Trindade mais sagrada e serena.

O “verdadeiro adorador” é, portanto, aquele que, tendo excluído de sua vida qualquer solicitude estrangeira, vive diante de Deus, protegido dos medos e paixões dos homens: “Você os protege no segredo de seu rosto”.25 Não há mais escuridão, mas as de fé, mas de uma fé pura, a fé que fez São Lourenço dizer ferozmente: “Minha noite não tem nada escuro: tudo brilha em sua luz viva.”26 A fé do verdadeiro adorador torna-se sua vida. Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – toma posse de todas as suas atividades dirige e governa-a para que, embora seja destinado por Deus para deveres ou missões multiformes, ele realmente realiza apenas uma obra, adoração.

O verdadeiro adorador pode justamente ser referido ao belo julgamento emitido por São Nilo em seu livro sobre oração: “Se você é um teólogo, você realmente rezará; e se você realmente orar, você é um teólogo. 27 Quem vive na presença de Deus. que subordina sua atividade interior a Deus e a dirige totalmente a ele. ele é necessariamente um teólogo. Seu estado é descrito pelo próprio santo abade, onde ele diz: “O estado de oração é uma disposição habitual e silenciosa que, graças a um grande amor, sequestra a mente sábia e espiritual nas alturas”. 28

Nos tempos antigos, todos os Pais reconheceram nos “verdadeiros adoradores” aqueles que chegaram ao ápice da vida sobrenatural; seu batismo é totalmente realizado: eles agem não tanto com o que eles fazem o que, em vez através do que tornaram-se. Trazidas de volta à unidade perfeita, suas almas vão para Deus através de formas mais angelicais do que humanas: “Eles foram onde o Espírito os empurrou, nem voltaram a andar.”29

A mesma coisa que São Nilo também diz: “Você deseja orar? Fuja da terra, e agora sua conversa está no céu, não só com a simples conversa de oração, mas com ações verdadeiramente angelicais e com uma inteligência cada vez maior das coisas divinas”. 30 Dedicados diretamente a Deus, os verdadeiros adoradores devem equipar-se para iniciar e atrair a Deus – como se diz dos espíritos abençoados que vivem diante dele – todos aqueles que ainda precisam de símbolos, que ainda não foram capazes de se dissolver dos laços de carne, sentidos e paixões, que, ainda divididos, darem seus primeiros passos na vida espiritual.

As exigências da adoração perfeita

Esses adoradores, que Deus o Pai procura. eles formam sua glória porque, intimamente unidos com seu Único Begotten, eles continuam e realizam seu trabalho na terra com uma eficácia e vigor particulares. Deles, ele é igual a Santo Dionísio quando diz que “a perfeição dos membros da hierarquia consiste em aproximar-se de Deus com imitação corajosa e – o que é ainda mais sublime – em ter seus colaboradores. como diz a palavra sagrada: “Somos colaboradoresde Deus” 31,e finalmente em fazer as maravilhas da ação divina brilharem em si mesmas de acordo com as forças de cada um”. 32

Aos verdadeiros adoradores em espírito e verdade também pode ser aplicada esta outra passagem em que o mesmo autor fala das inteligências angelicais: “Eles são inundados com uma luz que supera todo o conhecimento espiritual e são admitidos, tanto quanto sua natureza permite, à visão da beleza suprema que é a causa e origem de cada beleza e que brilha nas três pessoas adoráveis e que brilha nas três pessoas adoráveis : eles se beneficiam da humanidade do Salvador não apenas no sentido sugerido por alguma representação simbólica na qual são encontrados traços de suas perfeições de agosto: na verdade, para o livre acesso que têm com ele recebem e conhecem diretamente suas luzes sagradas; finalmente eles são autorizados a imitar Jesus Cristo de uma forma mais elevada, porque eles podem desenhar, de acordo com sua habilidade, a principal fonte de suas virtudes divinas e humanas.33

E para evitar a acusação de atribuir indevidamente ao homem o que é privilégio exclusivo do Anjo, citaremos essas outras expressões da gloriosa Areopagita: “Há entre nós”, diz ele, “alguns espíritos. graça muito alta, a de se aproximar do anjo tanto quanto possível para a natureza humana: eles são aqueles que. superar todos os esforços intelectuais, entrar em união íntima com luz inefável”.34 Eles são os verdadeiros adoradores, que adoram em espírito e verdade, que tomam literalmente e colocam em prática a exortação do apóstolo Paulo: “Sejam imitadores de Deus, como crianças amadas, e caminhem na caridade, como Jesus Cristo nos amou e nos entregou, oferecendo-se como uma oblação e uma vítima com um perfume agradável”.35

Aqui estão os verdadeiros adoradores que o Pai Celestial procura, que ele moldou e formou com toda a sua industriosidade divina. De fato, se no início a Trindade Agosana se reuniu e se reuniu em si mesma para criar o homem, nesta recreação, que ocupa e aperfeiçoa o primeiro, Deus, um em substância e trino em Pessoas, realiza uma obra ainda mais admirável e gloriosa, uma obra em que sua imagem e semelhança de agosto é mais fielmente impressa e mais nobremente reproduzida.


*Este “artigo” retoma o capítulo 20 do texto “Vida espiritual e oração” de Mère Cécile Bruyère

1 Ps.39.8.
2 Jn.4
3 Donec inveniam locum Domino, tabemaculum Deo Jacob (Ps. 131,5).
4 Si scires donum Dei! (Jn, 4:10).
5 Vade, vota virum tuum et veni huc (lá, 16).
6 Bem dixit quia non habeo virum. Quinque enim viros habuisti, et nunc quem habes, non est tuus vir: hoc vere divisti (lá, 17-18).
7 Qui praesit piscibus maris, et volatilibus caeli, et bestiis, universaeque terrae, omniunque reptili quod movetur on earth (Gen. 1:26).
8 Volo vos scire quod omnis viri caput, Christus est; caput autem mulieris, vir; Christi, Deus (1 Cor. 11, 3).
9 Animalis homo non percipit ea quae sunt Spiritus Dei (lá, 2,14).
10 Multifariam multisque modis olim Deus loquens patribus in prophetis. novissime diebus istis locutus est nobis em Filio, quem constituit haeredem universorum, per quem fecit et saecula (Ebr. 1,1-2).11 Haec autem omnia na figura de illis contingebante; scripta sunt autem ad correptionem nostram, em quós multas saeculorum devenerunt (1 Cor. 10.11).
12 Mulier, acredita mihi, quia venit hora quando neque em monte hoc, neque em Jerosolyims adorabitis Patrem (Jn. 4:21).
13 Si forte quaeris aliquem locum altum, aliquem locum sanctum, em te exibe te templum Deo. Templum Dei sanctum est quod estis vos. Em temple vis orare? Em você agora. Sed prius esto templum Dei, quia ille no templo suo exaudiet orantem(In Iohannis Evangelium, Homilia XV, 4,25) (trans. Quirinus Prince).
14 Venit hora, et nunc est, quando veri adorares adorabunt Patrem in spiritu et veritate. Nam et Pater tales quaerit qui adorent eum. Spiritus est Deus, et eos qui adorant eum, in spirita et veritate oportet adorare (Jn. 4:23-24).
15 Audite sermones meos: Si quis fuerit inter vos propheta Domini, in visione apparebo ei, vel per somnium loquar ad illum. Em non talis servus meus Moyses, qui in omni domo mea fidelissimus est; horas enim ad os loquor ei; et palam, et non per aenigmata et fìguras Dominum videt (Num. 12:6-8).
16 Spiritualis adorar gratus est, qui non forma et figuris judaicis ad pietatem obumbratur, sed evangelica virtute fulgens, retta dogmatum disciplina, veramperagit adorationem(In lohannis Evangelìum, II, 93).
17 Ego sum veritàs (Jn. 14:6).
18Expositio em Iohannem IV, 3.
19 Sine me nihil potestis dore (Jn. 15:5).
20 Cum na forma de Essets. não rapinam arbitratus est esse se aequalem Deo; sed semetipsum exinanivit (Phil. 2,6-7).
21 Si quis vult post me venire, abneget semetipsum, et tollat crucem suam, et se-quatur me (Mt. 16, 24).
22 Hoc enim scitote intelligentes, quod omnis fornicator, aut immundus,, aut avarus. quod est idolorum servitùs, non habet haereditatem no reino Christi Dei (Eph. 5,5).
23 Qui autem templo consenso Dei cum idolis? Vos enim estis templum Dei vivi, sicut dicit Deus: Quoniam inhabitabo in illis, et inambulabo inter eos: et ero iliorum Deus, et ipsi erunt mihi populus (2 Cor. 6,16).
24 Oportet adora Deum, scilicet Patrem in veritate, id est, in Filio et in Spiritu Sancto, hoc est, oportet adorare Deum trinum et unum, oportet adoraresanctam Trinitatem ac tres ejus personas (Carta a Sera pione).

25 Proteges eos em abscondito faciei tuae (Ps. 30:21).
26 Mea nox obscurum non habet; sed omnia em luz clarescunte.
27 Si theologus es, vere orabis; et si vere oraberis, eris theologus.
28 Status orationis est habitus absque passion, love summo ad celsitudinem intelligibilem rapiens mentem sapientem et spiritualem.
29 Ubi erat impulso spiritus, illuc gradiebantur, nec revertebantur cum ambularent (Ez. 1, 12).
30 Cupis orare? Transferendo te hinc, conversationem jugiter in caelis habe, non nudo verb simpliciter, sed actu angelico et diviniore cognitione.
31 Dei enim sumus adjutores (1 Cor. 3,9).
32De coelesti hierarquia, III.
33 Lá, VII.
34De Divinis Nominibus, eu.
35 Imitatores Estote Dei, sicut filli carissimi, et ambulate in dilectione, sicut et Christus dilexit nos, et tradidit semetipsum pro nobis oblationem et hostiam Deo in odorem suavitatis (Eph. 5, 1-2).

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